A impressionante polilaminina da Dra. Tatiana Coelho de Sampaio

Lesões na medula espinhal, historicamente tratadas como irreversíveis pela medicina, podem estar perto de ganhar um novo capítulo. A responsável é a cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que lidera uma pesquisa inédita capaz de estimular a regeneração de neurônios danificados. O avanço já permitiu que pacientes paraplégicos e tetraplégicos recuperassem movimentos, um feito que vem sendo apontado por especialistas e pela comunidade científica como potencial candidato ao Prêmio Nobel de Medicina.

Após quase três décadas de estudos, Tatiana coordenou o desenvolvimento da polilaminina, uma proteína experimental que atua diretamente no local da lesão medular e funciona como uma espécie de “cola biológica”, favorecendo a reconexão dos neurônios rompidos.

A polilaminina é uma molécula baseada em proteínas extraídas da placenta humana, que desempenham papel fundamental no desenvolvimento do sistema nervoso. Aplicada por meio de injeção diretamente na região lesionada da medula espinhal, a substância cria um ambiente favorável para o crescimento dos axônios e a reconstrução dos circuitos nervosos.

O tratamento está sendo desenvolvido em parceria com o laboratório brasileiro Cristália e já teve a fase 1 dos testes clínicos aprovada pela Anvisa, etapa que avalia a segurança e os primeiros sinais de eficácia do método.

Até o momento, pelo menos 16 pacientes brasileiros obtiveram na Justiça o direito de receber a aplicação experimental. Desses, ao menos cinco apresentaram recuperação parcial dos movimentos, um resultado considerado inédito em casos de lesão medular grave.

Apesar da repercussão mundial da pesquisa, Tatiana Coelho de Sampaio mantém um perfil discreto. Aos 59 anos, mãe de dois filhos e responsável por acolher em casa uma jovem órfã do Maranhão, a cientista afirma dormir cerca de seis horas por noite e não ter redes sociais.

“Prefiro a vida real. Viver sempre será minha primeira opção”, declarou ao comentar sua decisão de se manter distante do ambiente digital.

O que falta?

Muita coisa, na verdade. É preciso ter calma, embora o medicamento seja digno de muitas esperanças.

Para passar para humanos, a polilaminina precisa passar por testes de toxicidade e estabilidade em modelos animais maiores, que possuem uma biologia mais próxima da nossa.

Produção e Purificação
A polilaminina não é uma substância simples de se “fabricar”.

Os pesquisadores (liderados pela Dra. Tatiana) enfrentam o desafio de produzir essa proteína em escala industrial e com grau de pureza farmacêutico. Sem essa padronização rigorosa, a Anvisa ou o FDA (nos EUA) não autorizam os testes em voluntários humanos.

Além disso, qualquer tratamento que envolva a regeneração de tecidos nervosos exige protocolos de segurança altíssimos. A ciência precisa garantir que a proteína estimule apenas o crescimento dos nervos “certos” e não cause, por exemplo, o crescimento desordenado de células (tumores).

Só o processo de aprovação para um ensaio clínico de Fase 1 (segurança) pode levar anos de submissões e revisões por comitês de ética.

Apesar da euforia popular em cima do tema, ainda há um longo caminho pela frente.

 

Fontes: Diário do Commercio e Portal Drauzio Varella

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