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Kate Winslet e Jim Carrey interpretam um casal que apagou as memórias um do outro em ‘Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças’ — Foto: Rex Features
Um pesquisador de Montreal, no Canadá, disse em 2020 ter encontrado uma maneira de acabar com o sofrimento causado por uma separação traumática — ele “edita” as memórias dolorosas usando um betabloqueador e sessões de terapia.
Alain Brunet passou mais de 15 anos estudando o transtorno do estresse pós-traumático (TEPT), trabalhando com veteranos de guerra e pessoas que foram vítimas de crimes e ataques terroristas.
A pesquisa dele se concentrou em grande parte no desenvolvimento do que ele chama de “terapia de reconsolidação”, uma abordagem inovadora que pode ajudar a acabar com a dor emocional de uma memória traumática.
No centro do trabalho dele, está o propranolol, um betabloqueador usado há muito tempo para tratar doenças comuns, como hipertensão e enxaqueca, mas cuja pesquisa dele sugere agora uma aplicação mais abrangente.
O método de reconsolidação prevê tomar propranolol cerca de uma hora antes da sessão de terapia, na qual o paciente é orientado a escrever um relato detalhado sobre seu trauma e, na sequência, a lê-lo em voz alta.
“Muitas vezes, quando você recorda algo, se há algo novo para aprender, essa memória será desbloqueada e você poderá atualizá-la, e salvá-la novamente”, explica o psicólogo clínico canadense à BBC.
Esse processo de reconsolidação cria uma janela de oportunidade para atingir a parte mais emotiva dessa memória.
“Estamos usando esse entendimento aprimorado sobre como as memórias são formadas e como são desbloqueadas, atualizadas e salvas novamente — estamos usando essencialmente esse conhecimento recente da neurociência para tratar pacientes”, diz.
O trabalho de Brunet tem sido comparado com frequência ao filme de ficção científica Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, em que um casal em crise tem suas memórias apagadas, mas o especialista ressalva que as memórias não desaparecem após a terapia de reconsolidação, elas simplesmente param de doer.
E hoje?
Em 2026, o protocolo de Brunet saiu do nicho de “términos amorosos” e se tornou uma ferramenta importante para o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
O método foi amplamente utilizado para ajudar vítimas de traumas coletivos e luto patológico.
O tratamento é curto (geralmente 6 sessões), o que o torna muito mais atraente do que anos de terapia convencional para casos de traumas específicos.
Esse projeto também gerou uma grande discussão que ainda persiste: sofrer faz parte do aprendizado humano?
Críticos argumentam que, ao “anestesiar” a dor de um término, a pessoa pode deixar de aprender com os erros da relação e acabar repetindo padrões em futuros namoros.
Por outro lado, defensores da técnica (incluindo o Dr. Brunet) afirmam que o sofrimento excessivo e paralisante não é educativo, é apenas uma doença que precisa de tratamento.
Fonte: G1