Dez anos depois: Como a França transformou o ‘bônus da bicicleta’ em uma revolução nacional.

O governo francês, em 2014, estabeleceu o pagamento de € 0,25 (vinte e cinco centavos de euro) por quilômetro rodado de bicicleta, no lugar do uso de carro.

Se um funcionário morasse a 5 km do trabalho (10 km ida e volta), ele ganharia € 2,50 por dia se usasse bicicleta. Ao final de um mês de 22 dias úteis, isso somava cerca de € 55,00 extras no contracheque.

O Experimento Piloto
A medida não foi aplicada em todo o país de imediato. Ela começou como um teste de 6 meses (de junho a novembro de 2014). Cerca de 20 empresas e instituições voluntárias participaram, totalizando aproximadamente 10 mil funcionários.

Engajamento: Empresas famosas na época, como a gigante do varejo Leroy Merlin, aderiram ao teste para incentivar seus colaboradores.

A Regra do Jogo
Para evitar fraudes e organizar o pagamento, as regras eram bem específicas:

Acúmulo: O bônus era cumulativo com o reembolso parcial do transporte público (que as empresas francesas já eram obrigadas a pagar), desde que a bicicleta fosse usada para chegar até a estação de trem ou metrô.

Comprovação: Naquela época, o controle era baseado principalmente na declaração de boa-fé do funcionário ou em sistemas simples de registro de ponto. (Hoje em dia, usam-se aplicativos de GPS, mas em 2014 era no “fio do bigode”).

O Objetivo do Governo (Ministério da Ecologia)
A ministra da época, Ségolène Royal, queria provar três coisas com esse bônus:

Saúde: Reduzir o absenteísmo (faltas ao trabalho) por doenças ligadas ao sedentarismo.

Trânsito: Desafogar as vias expressas de Paris e Lyon.

Economia: Provar que o dinheiro gasto no bônus era menor do que o gasto com saúde pública e manutenção de estradas.

 

O FMD: O sucessor do bônus de 2014
Aquele bônus de 25 centavos por quilômetro evoluiu para o FMD (Forfait Mobilités Durables).

Como funciona hoje: As empresas podem pagar aos funcionários até € 800 por ano (isento de impostos) se eles usarem bicicleta ou carona para ir ao trabalho.

Setor Público: Até os funcionários públicos agora têm direito a esse bônus (os valores variam entre € 100 e € 300 anuais, dependendo de quantos dias por ano eles pedalam).

 

“Dinheiro na mão” para trocar o carro pela bike: a maior novidade dos últimos anos é o incentivo à troca.

Se um cidadão francês entregar um carro antigo (poluente) para a sucata, o governo oferece um bônus que pode chegar a € 3.000 para a compra de uma bicicleta elétrica (e-bike) ou uma bicicleta de carga.

O objetivo é claro: não apenas “esverdear” os carros, mas reduzir o número deles nas ruas.

Infraestrutura: O “Plano de 2 Bilhões”
A França está no meio de um plano massivo (2023-2027) de investimento de 2 bilhões de euros para:

Criar ciclovias seguras em todo o país (a meta é chegar a 100.000 km até 2030).

Ensinar todas as crianças em idade escolar a pedalar com segurança.

Incentivar a indústria local de montagem de bicicletas.

 

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