O ex-dono de editora que virou diretor de biblioteca, e começou a usar recursos próprios nela

Em entrevista para o Estadão, Charles Cosac expõe uma situação curiosa e digna de exemplo: outrora dono da editora Cosac Naify, Charles encontrou nova motivação ao assumir a direção da biblioteca Mário de Andrade. Um trabalho que muitos considerariam inferior e sem sentido, para ele significou uma nova motivação. Isto para uma pessoa sem muitas preocupações financeiras, e ao mesmo tempo sem novas idéias para a vida depois que fechou a editora.

Após um duro ano em especial, ele tomou a decisão de fechar a editora. E depois de tudo sacramentado, se viu de repente sem propósito, sem algo que o movesse todos os dias em alguma direção.

Ao se confrontar com a vaga de diretor na Mário de Andrade, Charles propôs trabalhar sem receber salário. Não aceitaram. Ele então se comprometeu a usar todo o salário em benefício da própria biblioteca.

Desde então, gastou R$ 13 mil na Companhia das Letras adquirindo livros que depois deu para a Mário de Andrade. Sonha em montar uma sala infantil na biblioteca. Já comprou vários exemplares do livro Moby Dick para o acervo.

Está literalmente passando o chapéu nas editoras. Pedindo 50% de descontos nos livros para elas, afinal elas dão esse desconto para as livrarias.

E assim ele vai. Trabalhando feliz, com um propósito à frente. Batalhando para encher a Mário de Andrade de bons livros. Como ele disse na entrevista: “Eu não quero encher isto aqui de livros. Quero encher de bons livros.”

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