EBC-46: como está hoje a droga que já eliminou tumores em tempo recorde?

Em 2014, o mundo da ciência foi sacudido com o caso de um novo remédio contra o câncer, que havia removido vários tumores volumosos de um paciente. Tratava-se de um estudo publicado na revista PLOS ONE pelo QIMR Berghofer Medical Research Institute, na Austrália.

O remédio se chama EBC-46, e é feito a partir de um composto extraído da semente da fruta Blushwood (que cresce apenas no norte da Austrália) capaz de combater tumores sólidos de forma avassaladora.

Dentre as informações que circularam na época, a que teve mais destaque foi a de um cachorro Golden de nome Oscar, que tinha um sarcoma do tamanho de uma bola de tênis na face. Após uma injeção do novo medicamento, chamado EBC-46, o tumor literalmente derreteu e sumiu em 15 dias.

A substância foi testada em pacientes veterinários com resultados surpreendentes: em muitos casos, uma única injeção direta causou a morte das células cancerígenas em apenas 4 horas. O medicamento funciona cortando o suprimento de sangue do tumor e forçando o corpo a rejeitar a massa maligna. Embora os resultados em animais tenham mostrado que cerca de 70% dos casos tiveram remissão completa, cientistas alertam que a droga é eficaz apenas para tumores acessíveis por injeção e não para cânceres com metástase generalizada.

Na época, os testes em humanos da droga estavam apenas começando. O que se testava na época ainda era a segurança de se usar o remédio em humanos.

 

Como está a situação hoje?

A droga deixou de ser apenas uma promessa. Hoje a substância se chama Tigilanol Tiglate, foi aprovado oficialmente em 2020 pela FDA (EUA) e pela Agência Europeia de Medicamentos, mas sob o nome comercial Stelfonta.

É indicado para tratar tumores de mastroclitos (um tipo de câncer de pele comum) em cães. A eficácia continua altíssima nos animais, com cerca de 75% de sucesso em eliminar o tumor com apenas uma aplicação.

E em Humanos? A percepção mudou. Não é uma cura geral: descobriu-se que ela funciona muito bem para tumores sólidos e localizados (na pele ou acessíveis por agulha). Ela não funciona para cânceres no sangue (leucemia) ou tumores internos profundos que não podem ser injetados diretamente.

Fase de testes: Já existem testes de Fase I e II em humanos. Os resultados mostram que ela é segura e consegue reduzir tumores de pele (como o melanoma), mas ainda não substitui a quimioterapia ou cirurgia para a maioria dos pacientes. Ela é vista hoje como uma ferramenta auxiliar poderosa, não como uma “pílula mágica”.

A grande descoberta atual: os cientistas notaram que, ao injetar a droga em um tumor, o sistema imunológico “aprende” a atacar outras células cancerosas pelo corpo. Isso é o que mais anima a ciência hoje, muito mais do que a destruição do tumor original.

Fontes: Virbac e QBiotics Group.

Referências:

  • Estudo Original (2014): Boyle GM, et al. “Intralesional Treatment of Solid Tumors with EBC-46”. PLOS ONE.

  • Aprovação FDA (2020): U.S. Food and Drug Administration – Stelfonta for canine mast cell tumors.

  • Atualização de Testes em Humanos (2024/2025): QBiotics Group – Phase IIa Results for Soft Tissue Sarcoma.

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