Há 10 anos, celebrávamos uma vitória histórica: a Moratória da Soja tornava-se permanente. Hoje, esse escudo que protege a Amazônia enfrenta novos desafios, mas os números não mentem: é possível produzir sem destruir.
Até 2016, o acordo era renovado quase todos os anos (o que gerava sempre uma incerteza política). Em maio daquele ano, em uma cerimônia no Ministério do Meio Ambiente em Brasília, o governo, a indústria (Abiove e Anec) e ONGs (como o Greenpeace) assinaram a renovação por tempo indeterminado.
O termo oficial dizia que a moratória ficaria valendo “até que ela não seja mais necessária”, ou seja, até que os mecanismos públicos de controle (como o Cadastro Ambiental Rural – CAR) fossem fortes o suficiente para garantir o desmatamento zero por conta própria.
Definição de Moratória: É um compromisso “de mercado”. As grandes empresas exportadoras de soja concordam em não comprar grãos de fazendas que desmataram a floresta amazônica após julho de 2008 (data alinhada ao Código Florestal).
A Vitória do Greenpeace: O Greenpeace foi um dos fundadores do acordo em 2006 (após o famoso relatório “Comendo a Amazônia”). Em 2016, o acordo completava 10 anos, e os dados mostravam que, nos municípios cobertos pela moratória, o desmatamento havia caído cerca de 86%.
Os Personagens: A renovação de 2016 foi assinada pela então ministra Izabella Teixeira e por Paulo Adario, o estrategista sênior do Greenpeace que é considerado o “pai” desse acordo.
A Moratória da Soja é considerada até hoje o acordo ambiental mais bem-sucedido da história do Brasil.
No entanto, ela tem sofrido ataques recentes (em 2024 e 2025) de setores do agronegócio que tentam suspendê-la no CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), sob o argumento de que ela prejudica a competitividade. O Greenpeace e outras entidades continuam lutando para mantê-la viva, pois sem ela, a soja voltaria a ser um dos principais motores de destruição da floresta.