Em 2016, uma equipe do King’s College de Londres desenvolveu uma substância química que, em testes com ratos, estimulou células da polpa dental a taparem pequenos buracos nos dentes.
Para isso, uma esponja biodegradável embebida no produto foi colocada na cavidade.
Em um estudo publicado pela revista científica “Scientifica Reports”, a substância teve, segundo os cientistas, efeito reparativo “completo, eficaz e natural”.
Dentes têm capacidade limitada de regeneração. Podem produzir uma pequena faixa de dentina – a camada abaixo do esmalte – se a polpa fica exposta, mas não podem consertar cavidades maiores. Isso é feito com obturações, em que dentistas usam um amálgama metálico ou um composto feito de vidro em pó e cerâmica.
Só que esses reparos frequentemente precisam ser substituídos ao longo da vida. Os pesquisadores, então, tentaram ampliar a capacidade regenerativa natural dos dentes – foi assim que descobriram a droga, chamada Tideglusib.
A substância aumentou a atividade de células-tronco na polpa dental dos ratos – elas conseguiram fazer reparos em buracos de 0,13mm nos dentes dos roedores.
Novo tratamento
“A esponja é biodegradável, isso é a chave”, disse à BBC Paul Sharpe, um dos cientistas do King’s College.
“O espaço ocupado pela esponja fica cheio de minerais enquanto a dentina regenera, então você não tem nada ali que possa falhar no futuro.”
A equipe agora quer descobrir como conseguir aumentar o poder de ação da Tideglusib.
“Não acho que vamos esperar muito tempo. Tenho esperanças de que (o tratamento) estará comercialmente disponível em três a cinco anos”, completou Sharp.
Como está este estudo em 2026?
A pesquisa do King’s College London avançou, mas com uma ressalva importante: o Tideglusib foca na regeneração da dentina (a camada interna do dente).
Ele provou ser muito eficaz para tratar cáries profundas que chegariam ao canal, pois estimula as células-tronco da polpa a criarem “dentina natural” para fechar o buraco, em vez de usar um material sintético. Ele ainda está em fases de testes clínicos avançados e protocolos de segurança. Não se tornou um tratamento de “balcão” na clínica da esquina porque a aplicação precisa ser muito controlada para não gerar crescimento desordenado de tecido.
Fonte: G1